A ONG Aquasis, do Ceará, iniciou uma campanha para tentar localizar uma fêmea de peixe-boi marinho. O animal encalhou em 2019, quando era um filhote, no litoral de Fortim (CE). Resgatada e reabilitada pela Aquasis, em abril de 2024, ela foi solta na natureza com um equipamento de telemetria em Capuí (CE). Porém, o animal perdeu o acessório de monitoramento e a equipe não tem mais notícias.
“Esses animais que passam por esse processo de encalhe, resgate e reabilitação precisam ser monitorados quando voltam à natureza por um período mínimo de um ano. Esse tempo serve para acompanhar se, de fato, eles estão conseguindo se readaptar bem, se estão conseguindo encontrar fontes de alimento, água doce, se estão utilizando locais que são propícios para a espécie”, explicou Thaís Chaves, da Coordenação de Educação Socioambiental,do Programa de Mamíferos Marinhos da ONG Aquasis.
Segundo ela, são animais que encalharam ainda filhotes, às vezes, com um ou dois dias de vida e não tiveram o acompanhamento da mãe. Por isso, precisam aprender a viver sozinhos, por conta própria. Com base no protocolo, é necessário que a equipe acompanhe o peixe-boi após a soltura durante um ano.
“A Flor foi solta em abril de 2024, em Capuí (CE) e, junto com ela, vai um equipamento de telemetria, que é parecido com uma bóia e fica preso na cauda do animal por um cabo e um cinto de borracha. Ela foi se deslocando sentido Rio Grande do Norte, sendo acompanhada diariamente pela nossa equipe de monitoramento, que faz as observações e acompanha o comportamento”, disse.
O animal teve um deslocamento muito rápido. “Ela não ia parando e explorando os espaços. No dia 30 de maio, ela estava na região de Maracajaú. No Rio Grande do Norte, teve um episódio em que ela foi capturada, de forma não intencional, quatro vezes em redes. Numa delas, o equipamento dela foi retirado de forma não intencional. No dia seguinte, recebemos o relato dos pescadores, mas não encontramos o peixe-boi”, lamentou.
Thaís contou que foi feita uma busca na região, embarcada e por terra. Desde então, foi iniciada uma campanha de informação para que as pessoas ajudem a localizar o peixe-boi para que seja possível recolocar o equipamento nela.
A equipe da ONG acredita que Flor continuou esse deslocamento no sentido do litoral da Paraíba, que era o deslocamento que ela estava apresentando, para a região Sul. Desde então, está sendo feita a mobilização.
“Chegou um relato de avistagem dela no dia 1º de junho ainda no litoral do Rio Grande do Norte, mas esse registro chegou dias depois. Nós fomos ao local, mas não encontramos o peixe-boi. Acreditamos que ela tenha seguido para o litoral da Paraíba e iniciamos a campanha pedindo ajuda para as pessoas divulgarem essas informações. Quem encontrar, deve nos informar para que possamos ir até ela e recolocar o transmissor que é muito importante para garantir o bem-estar e a segurança do peixe-boi”.
Thaís Chaves ressaltou que o peixe-boi é uma espécie ameaçada de extinção. No litoral da Paraíba, a Aquasis conta com o apoio da Fundação Mamíferos Aquáticos, que realiza o mesmo trabalho.
Como ajudar
Se alguém avistar a peixe-boi Flor, deve informar nos contatos abaixo para que seja recolocado o equipamento de monitoramento.
- Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho – (83) 99961-1338 ou (83) 99961-1352
- ONG Aquasis – (85) 99188-2173 ou (85) 99800-0109
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