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A ‘Biblioteca Indisciplinada’ de Mindlin sai em livro

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São mais de 31 mil títulos que, em alguns casos, se multiplicam cada um em vários volumes, o que dificulta totalizar o número de livros – no mínimo, deve chegar a 80 mil. Cultivada há quase oito décadas, a biblioteca particular do casal de bibliófilos Guita e José Mindlin tornou-se uma das mais importantes do Brasil, além de referência internacional na área. Seu acervo de manuscritos, primeiras edições, publicações ilustradas e outras raridades representa um verdadeiro tesouro que muito poucos conhecem. Pensando nisso, Mindlin e a mulher elaboraram, com as fiéis secretárias que trabalham na biblioteca, os dois volumes que compõem a coleção “Destaques da Biblioteca InDisciplinada de Guita e José Mindlin” (544 págs., R$ 260), que será lançada amanhã à noite, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Mais que um guia para os caçadores de arcas perdidas, trata-se do levantamento de uma importante parcela da produção editorial de séculos atrás, com a apresentação de verdadeiras jóias (confira no quadro ao lado). Algo tão diversificado que o trabalho de seleção tomou quase dois anos. “A escolha não foi uma tarefa fácil, pois a biblioteca adquiriu, ao longo dos anos e por força da diversidade de meus interesses, uma dimensão que se poderia qualificar de exagerada”, comenta Mindlin, que começou a colecionar livros em 1927, quando não passava de um garoto de calças curtas. “Para mim, os livros têm vida própria, apesar de sua aparente imobilidade, e, desde que comecei a selecionar os escolhidos, praticamente todos se consideravam com o direito de ser escolhidos.”

Assim, para a seleção, Mindlin e suas colaboradoras admitiram centenas de itens, o que explica em parte o termo “biblioteca indisciplinada”. “A indisciplina justifica quando sou tentado a comprar obras que não se enquadram nas vertentes”, explica o bibliófilo. “Mas acabo encontrando regras.” Foi o interesse por assuntos brasileiros – principalmente história e literatura – que levou Mindlin, empresário e advogado descendente de judeus russos, a formar uma biblioteca. A leitura da “História do Brasil” de frei Vicente de Salvador (um cronista do século 17), presente de uma tia, incentivou-o a colecionar raridades. “Em 1927, entrei num sebo de São Paulo e comprei uma obra que me fascinou, o ‘Discurso sobre a História Universal’, de Bossuet, uma edição portuguesa de 1740”, lembra. “Foi uma leitura importante, pois deu origem ao meu interesse por obras, especialmente nacionais.”

Aos 91 anos, Mindlin, que teve uma breve (mas marcante) passagem como jornalista do jornal O Estado de S. Paulo durante a década de 1930, exibe uma verdadeira paixão pelos livros. Ter o privilégio de passear pelas fileiras de estantes que se estendem por sua ampla casa no bairro do Brooklin (“Vivemos aqui desde os anos 1940”) não apenas permite descobrir os tesouros cuidadosamente guardados como verificar seu cuidado com cada volume – aparentemente, Mindlin sabe exatamente onde está cada volume. Se a conversa trata de Machado de Assis, ele puxa o volume do local certo. O mesmo acontece sobre Rabelais ou da primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572. Além de encantador, Mindlin é um homem desprovido de interesses pessoais, a ponto de ter acertado com os filhos a doação de 15 mil títulos para a USP. “Sempre gostei de inocular o vírus da leitura nas pessoas.”

Serviço

Destaques da Biblioteca Indisciplinada, 2v. José Mindlin. 544 págs. R$ 260. Livraria Cultura/Conjunto Nacional. Amanhã, 18h30.



Agência Estado

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